Livro Didático ou Apostilas: qual a melhor escolha? – Colégio Stocco

Livro Didático ou Apostilas: qual a melhor escolha?

18/ago/2023

Quando o assunto é Educação Básica, vários são os temas que circundam o cotidiano escolar; a escolha do material didático faz parte disso.
Esse é um dos diferenciais das instituições e cada uma tem uma justificativa que ancora o porquê da predileção de um ou outro.
Nosso Colégio tem adotado ao longo dos anos, desde a sua fundação, livros didáticos, pois entendemos que eles proporcionam ampla autonomia ao corpo docente, tanto na elaboração das aulas, quanto nos projetos. Além disso, possibilitam maior reflexão das práticas e autorias de propostas por parte dos professores.

Material didático Conecte Live do Ensino Médio utilizado no Stocco.

Sobre esse assunto não há consenso geral entre as escolas e os educadores, e nós, do Stocco, respeitamos os diferentes posicionamentos. Todavia, temos nossos argumentos que justificam, pedagogicamente, nossas decisões. 

Mas antes de nos posicionarmos queremos voltar no tempo, pois um pouco de história sempre ajuda a ampliar nosso repertório cultural, não é mesmo?

Quando surgiram os livros didáticos no Brasil?

Estudantes do 1° ano do ensino fundamental em aula com livros didáticos

Antes de abordarmos especificamente sobre o livro didático, é importante contarmos que os primeiros livros foram criados pelos Sumérios, quando começaram a fazer registros em tabletes de barro, cerca de 3.200 a.C., na Mesopotâmia, uma região localizada entre os Rios Tigre e Eufrates e que nos dias atuais corresponde aos territórios da Jordânia, Irã e Iraque. Os povos mesopotâmicos criaram a escrita e registravam os mais diversos assuntos para compartilhar os modos de vida, as legislações, sua cultura, descobertas etc. 

Com o decurso do tempo, surgiram outras formas de escrita e diversos materiais foram empregados, como por exemplo, os papiros. Mas a grande revolução que futuramente contribuiria com a produção de materiais impressos, sem dúvida, foi a invenção de Gutenberg, em 1450, a máquina de imprensa, que possibilitou a ampla circulação de ideias por meio dos livros e jornais.

Ao avançarmos mais um pouco na linha do tempo, em relação ao Brasil, segundo pesquisas na área da Educação, os livros didáticos começaram a surgir no início do século XIX, em escolas de renome, no Rio de Janeiro, como o Imperial Colégio Pedro II. Em 1895, foi publicada a primeira obra didática, “Anthologia Nacional”, para ser adotada nas aulas de Língua Portuguesa e que teve como autores os professores Fausto Barreto e Carlos de Laet. Em 1934, o Instituto Nacional do Livro (INL) começou a elaborar um dicionário nacional e uma enciclopédia, além de também aumentar o número de bibliotecas públicas. Devido ao alto custo para impressão de livros, em 1937 foi criado o Instituto Nacional do Livro e em 1938 foi aberta a Comissão Nacional do Livro Didático, instituições fundadas com a intenção de reduzir os valores da comercialização e aumentar a oferta para o público, iniciativas que infelizmente não alcançaram os objetivos esperados. Em 1966, o Ministério da Educação assumiu o compromisso de distribuir 50 milhões de livros em três anos. Somente em 1985 foi criado o Programa Nacional de Livro Didático (PNLD), que é destinado a avaliar e a disponibilizar obras didáticas, pedagógicas e literárias, entre outros materiais de apoio à prática educativa, de forma sistemática, regular e gratuita, às escolas públicas de Educação Básica. Essa avaliação é muito útil às Instituições Privadas, embora não sejam favorecidas por esse Programa, atentam à lista do PNLD, para fazerem escolhas.

Mas retomando o tema deste texto, quais são, essencialmente, os diferenciais entre livros didáticos e apostilas?

De um modo geral, os livros apresentam uma abordagem mais complexa e profunda dos conteúdos, com recursos visuais que contribuem para a construção do conhecimento e potencializam a aprendizagem dos estudantes. Os livros que os professores do Stocco selecionam para nossos estudantes representam os interesses, valores e aspirações pedagógicas e devem  contribuir para as práticas em sala de aula.

Aula de matemática do 3° ano com livro didático

No que diz respeito às apostilas, via de regra, elas têm uma estrutura a ser seguida e uma sequência de conteúdos que precisa ser trabalhada de acordo com o sistema didático escolhido, com um direcionamento mais formatado, de maneira a impedir que a equipe docente planeje diferente, engessando-a. Além disso, mede-se o desempenho dos estudantes com determinados critérios, entre outros, pelo conteúdo vencido, aula a aula, como uma maratona, dentro de um tempo pré-estabelecido, muitas vezes, sem levar em consideração o contexto da instituição e do organismo vivo que é a escola e, principalmente, as crianças e jovens que estão a aprender. Geralmente, a apresentação dos conteúdos é feita de maneira mais concisa.

Theresa Adrião, da Faculdade de Educação da UNICAMP, pesquisou o avanço do uso dos sistemas de ensino nas escolas municipais de São Paulo e chegou a uma conclusão oposta à dos gestores que defendem as apostilas. “O desempenho do professor é prejudicado. Quanto mais o professor for ‘desresponsabilizado’ de sua tarefa, dado que tudo vem programado por terceiros, menos dele a sociedade poderá exigir,” comentou em entrevista.

Uma outra declaração muito significativa sobre o uso de apostilas é de Romualdo Portela, professor da Faculdade de Educação da USP, “A formatação das aulas para melhorar o uso do tempo dentro da sala é uma resposta pedagógica pobre para o aprendizado”. 

No Stocco, compartilhamos das mesmas ideias desses dois educadores e valorizamos a formação docente contínua no local de trabalho, bem como não abrimos mão de sujeitos autônomos e autores de suas práticas, exercendo sua criticidade e criatividade.  Concebemos que o perfil docente está intimamente relacionado ao perfil do estudante e, dessa maneira, a escolha dos livros didáticos é um fator que levamos em consideração.

Aula de inglês na educação infantil com o apoio do material didático

Como analisamos e escolhemos os livros didáticos?

Atualmente, o primeiro critério a ser checado é se o livro a ser adotado está alinhado à Base Nacional Comum Curricular (BNCC). Atendido esse critério é importante observar:

  • Alinhamento com a Proposta Pedagógica.
  • Qualidade do texto.
  • Conteúdos contextualizados.
  • Conceitos apresentados e ausência de qualquer tipo de preconceito.
  • Autores: formação e contribuições na área do conhecimento. 
  • Propostas de atividades práticas, exercícios, sugestões.
  • Diversidade Cultural e Étnica.
  • Imagens.
  • Livros que façam parte do Programa Nacional do Livro Didático (PNLD), do Ministério da Educação, e que são rigorosamente avaliados.
  • Referências Bibliográficas.
Caderno de atividades do material didático de ciências

Finalmente, é importante destacar que o livro didático norteia o trabalho em sala de aula sem retirar a autonomia docente, além de ser uma fonte confiável de consulta. Em nosso país, ele tem uma data especial para sua comemoração: 27 de fevereiro.

Referências Bibliográficas:

Câmara. Naiá Sadi. Análise comparativa entre o livro didático e a apostila. Anais do SIELP. Volume 2, Número 1. Uberlândia: EDUFU, 2012. ISSN 2237-8758.

Guimarães, Camila. Livro ou Apostila? Por que tantas cidades preferem pagar para usar sistemas de ensino no lugar dos livros didáticos gratuitos– e o que isso revela sobre a educação pública. https://revistaepoca.globo.com/Revista/Epoca. 2010.

GRÓF, Gabriel Lohner. A origem da escrita como problema interdisciplinar na Mesopotâmia. Revista TEL, Irati, v. 11, n.1, p. 26-50, jan. /jun. 2020- ISSN 2177-6644. Ministério da Educação. Programa Nacional do Livro e do Material Didático (PNLD). http://portal.mec.gov.br.

Texto:

Professora Dra. Jozimeire Angélica Stocco de Camargo Neves da Silva

Diretora Pedagógica e Geral

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