Do plantio à colheita: crianças da Educação Infantil vivenciam processos produtivos agrícolas



Estudantes de 1 a 6 anos, do Stoquinho, aprendem regras sociais de valor, respeito e cooperação em ações de integração com a natureza.

Colocar a mão na massa, ou melhor, na terra, é a especialidade dos estudantes do Stoquinho. A maioria das brincadeiras acontece ao ar livre, em parquinhos na areia, pula-pula em pneus, tobogã no meio de árvores, esconde-esconde na casa do Tarzan, mas o momento mais esperado é quando as crianças arregaçam as mangas para participar ativamente de processos de plantio, cultivo e colheitas.

Em meio a uma área de 27 mil m² de área verde, alunos de 1 a 6 anos são convidados a interagir diariamente com diversos elementos da natureza, explorando sensações, cheiros e sabores. Tudo acontece com o acompanhamento de um engenheiro agrônomo, que prioriza as atividades de acordo com a faixa etária e as necessidades de aprendizado nessa fase.

(Crianças se divertindo no tobogã)

Viver o processo é a premissa de todas as ações, independentemente da idade. Aos 5 e 6 anos, por exemplo, as crianças estudam sobre a cana e o café e desenvolvem propostas em nosso canavial e cafezal. “Há um momento em que uma pessoa, vestida de boia-fria, aparece para conversar com elas e contar como é o dia a dia em uma plantação. Os olhinhos dos pequenos até brilham de tanta realização”, conta Marta Mergulhão, coordenadora pedagógica do Stoquinho. “As crianças precisam entender que sobrevivem com o que plantam. Necessitam conhecer a origem, por exemplo, daquele açúcar comprado em saquinho no supermercado”, comenta ela.

(Canavial do Stoquinho)

Quando o assunto é café, os alunos estudam sobre plantio, cultivo, tipos de café, formas de colheita, secagem e torragem. “Todos aprendem a usar o pilão, moer o café e participam ativamente do processo de torragem”, descreve Marta.

Em relação às crianças mais novas, os primeiros contatos e vivências compreendem a apresentação das plantas como um ser vivo e a necessidade delas em receber água, sol e orvalho. Com 2 anos, o tradicional plantio de feijão em copinho, dá lugar ao plantio na própria terra, sujando literalmente as mãos e relacionando o crescimento da planta com aquele simples plantio da semente. Já aos 3 anos, o objeto de estudo é a bananeira e todas as suas particularidades. E, aos 4 anos, diversos projetos sobre sementes, adubos e até uma minhocaria na própria terra.

(Crianças observando e cuidando das flores)

Fátima Gongora, também coordenadora pedagógica do Stoquinho, acredita que as experiências são enriquecedoras para a primeira infância. “As crianças ganham, por meio de cada vivência, uma consciência natural sobre cuidados com a natureza e a importância de preservá-la, além de enraizar atitudes colaborativas, de respeito ao outro e ao seguimento de regras ao participar de atividades em grupo e de convívio social”, diz ela.