Coronavírus: A Corrida pela Cura


Orientações do Colégio Stocco de Santo André sobre o Corona Vírus ou COvid-19

Diante das calamidades causadas pelo novo Coronavírus em todo o mundo, nas esferas social, econômica e da saúde, o Stocco trouxe para vocês um arrazoado de notícias atualizadas do mundo da ciência sobre algumas ações desenvolvidas por pesquisadores brasileiros e internacionais na busca pela cura da doença.

À medida que o Coronavírus COVID-19 continua causando estragos em diversas esferas (sociais, econômicas e da saúde) pelo mundo todo, muitos pesquisadores estão focados na compreensão do vírus para desenvolver estratégias que possam detê-lo. Uma das apostas mais otimista é o desenvolvimento de uma vacina, substância composta por agentes patógenos mortos ou atenuados, tendo como função estimular uma resposta imunológica do organismo que passa a produzir anticorpos, mesmo sem ter contraído a doença. É uma estratégia semelhante a descobrir o ponto fraco do inimigo antes da guerra começar.

Qual o status do processo de desenvolvimento da vacina contra o Coronavírus?

Ainda não existem vacinas que protejam as infecções por Coronavírus, seja pelo SARS-CoV-2 ou pelos que causam SARS e MERS. Todos esses pertencem a uma mesma família de vírus semelhantes, Coronaviridae, com genoma de RNA simples e estrutura física semelhante a uma coroa, causadores de doenças respiratórias em seres humanos e até mesmo em animais.

No caso do novo Coronavírus, é exatamente a coroa, ou também chamada de espícula, a parte que penetra na célula hospedeira, permitindo a infecção.

Foto por microscopia eletrônica do Coronavírus COVID-19 Fonte: https://bit.ly/2VAQxSN

Uma vacina contra o Coronavírus entrará em testes no Brasil em breve

Pesquisadores brasileiros, da Universidade de São Paulo (USP), levaram em conta essa estrutura para a fabricação de uma vacina que entrará em testes dentro de alguns meses. A mesma é baseada na criação de uma partícula semelhante ao Coronavírus, o VLP (virus-like particle, em inglês). Trata-se de um vírus oco, contendo somente a coroa (espícula) sintetizada in vitro e sem o material genético, sendo capaz de causar uma forte resposta imunológica do organismo, sem a transmissibilidade da doença. A abordagem para encontrar as partes virais mais importantes na indução da resposta imunológica é semelhante à utilizada na fabricação de vacinas de Ebola, que bloqueiam, por meio da resposta imune, a interação do vírus com a célula hospedeira.

Foto demonstrativa do Ebola

Pesquisadores americanos desenvolvem outra forma de vacina contra o Coronavírus

Outra iniciativa promissora foi publicada recentemente no Journal mBio, Jornal da Sociedade Americana de Microbiologia. Uma equipe de pesquisadores americanos descreveu uma vacina contra o vírus MERS (Síndrome Respiratória do Oriente Médio), que teve o início de seu surto em 2012. Em abordagem diferente da brasileira, foi usado um vírus de RNA, chamado de Parainfluenza 5 (PIV5) que causa uma condição conhecida como tosse do canil em cães, mas é inofensivo para pessoas. Um gene extra foi adicionado ao vírus com intuito de que as células do hospedeiro produzissem a glicoproteína S, também presente na coroa desse novo Coronavírus. Os testes de laboratório desses pesquisadores mostraram que uma dose única administrada desencadeou respostas imunes contra a proteína no hospedeiro animal. Todos os ratos imunizados com o vírus PIV5 modificado sobreviveram à infecção, mostrando que a vacina intranasal foi eficaz na imunização.

Esse protocolo de sucesso americano será replicado em uma corrida contra o tempo para a fabricação de uma vacina eficaz contra o SARS-CoV-2. Um dos cientistas participantes do estudo, pneumologista pediátrico e expert em Coronavírus, Dr. Paul McCray escreveu: “Cem por cento da população não será exposta ao vírus na primeira vez, o que significa que haverá mais pessoas para infectar quando ele voltar”, disse ele. “Ainda não sabemos se as pessoas têm imunidade duradoura contra a infecção por SARS-CoV-2, por isso é importante pensar em maneiras de proteger a população”.

Pesquisadores debatem sobre a possibilidade de medicamentos já existentes ajudarem a combater a COVID-19

Medicamentos já existentes para outras doenças também poderiam ser testados para o combate da COVID-19. Pesquisadores do mundo todo estão correndo contra o tempo para provar que uma determinada droga seria segura e eficaz contra a COVID-19. Uma das estratégias para acelerar esse processo tem sido avaliar os potenciais efeitos terapêuticos de medicamentos clinicamente aprovados e já usados contra outras doenças.

Estima-se que aproximadamente 70 fármacos e compostos experimentais tenham algum efeito sobre o SARS-CoV-2, entre eles a cloroquina e a hidroxicloroquina. Em particular, o Laboratório Phenotypic Screening Platform, do Instituto de Ciências Biomédicas (ICB) da USP, começou no início de abril a testar cerca de 1.500 fármacos, em parceria com a Eurofarma, para combater a COVID-19. Esse laboratório da USP é referência mundial em triagem fenotípica para reposicionamento e descoberta de novos fármacos para doenças negligenciadas. Há cerca de 15 anos, se dedica ao descobrimento de fármacos para malária, leishmaniose, doença de Chagas e dengue, além de doenças emergentes, como chikungunya e zika.

Eles estimam que em cinco semanas já teriam os resultados dos testes de mais de 2.500 compostos, e a partir desse momento será possível testar até 4 mil compostos por semana. O projeto foi possível graças ao cultivo do novo Coronavírus feito pelo grupo do pesquisador Edison Luiz Durigon (ICB-USP), que recebeu amostras dos primeiros pacientes infectados no final de fevereiro, enviadas pelo Hospital Albert Einstein.

Maratona de testes de medicamentos para um tratamento eficaz

O atual interesse em torno dessas drogas já existentes teria nascido da repercussão de uma carta publicada por pesquisadores chineses no início de março na revista BioScience Trends (https://bit.ly/2xs8NFT), sugerindo que o fármaco seria capaz de inibir a proliferação do SARS-CoV-2 em indivíduos infectados em vários hospitais do país asiático. “O problema é que os autores dessa carta não divulgaram os detalhes dos dados que dariam suporte às suas afirmações, de modo que é impossível avaliar se os achados fazem sentido ou mesmo se é possível reproduzi-los”, destaca o médico e professor doutor Marcelo Urbano Ferreira, do Instituto de Ciências Biomédicas da Universidade de São Paulo (ICB-USP).

A ideia é realizar testes com a hidroxicloroquina e o antibiótico azitromicina, além do antiinflamatório corticoide dexametasona, em 1.356 pessoas com a doença em 70 hospitais do Brasil. Entre eles, o Albert Einstein, o HCor e o Sírio-Libanês, além da Rede Brasileira de Pesquisa em Terapia Intensiva (BRICNet).  Os primeiros resultados devem ser divulgados entre 60 e 90 dias. A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) irá acompanhar os desfechos dos estudos, bem como o cumprimento das boas práticas clínicas.

“Tudo indica que levará algum tempo até que tenhamos um medicamento seguro e eficaz contra a COVID-19”, comenta o farmacologista e professor doutor Gustavo Batista de Menezes, do Instituto de Ciências Biológicas da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), “Isso porque, para ser testado adequadamente, o medicamento terá de passar por bons ensaios clínicos, o que demanda tempo e recursos humanos e financeiros.”

Nova ferramenta usando inteligência artificial contribui com dados para pesquisas e no combate às Fake News

Outro passo nessa corrida vem sendo desenvolvido pelo Instituto de Ciências Matemáticas e de Computação da Universidade de São Paulo. Uma nova ferramenta, baseada em inteligência artificial, permite rastrear e extrair dados de textos de notícias, obtendo informações sobre fatos e seus respectivos locais relacionados à pandemia, assim possibilitando a construção de modelos de propagação da doença. Chamada de Websensors (https://bit.ly/2ylBqEQ), sua metodologia é baseada em mineração de eventos estruturada em etapas, que vão desde a  identificação do problema, passando pela análise de dados e finalizando com o uso das informações selecionadas como relevantes. Isso permite ajustar os modelos preditivos já existentes, colaborando com as tomadas de decisões ao enfrentamento da pandemia da COVID-19. Além de abastecer os pesquisadores com dados, o Websensors também pode nos proteger das famosas Fake News tão largamente disseminadas na internet nesses períodos.

Foto por print screen da página inicial do site Websensors

A ciência é o motor que impulsiona a corrida pela cura

Esta pandemia traz à luz a importância da ciência para seu enfrentamento. Precisamos de olhares capacitados de cientistas e pesquisadores, para compreender a dinâmica da doença, seus dados e sua transmissão. Precisamos também de respostas novas para a mitigação dos impactos na sociedade.  A ciência é o motor que impulsiona a corrida pela cura, nos fazendo confiar num futuro melhor.

Colégio Stocco frente às medidas de prevenção do Coronavírus

Diante de todo o contexto em que estamos vivendo, o Colégio Stocco está em permanente atenção e atualizado sobre quaisquer modificações ou complementações que se apresentem frente às medidas de prevenção à expansão da pandemia e quanto às formas de minimizar impactos nas rotinas escolares, priorizando manter o alto nível do ensino e atendimento da escola e bem-estar dos estudantes e colaboradores.

Luis Alves

Professor de Ciências e Educação Tecnológica, Pós graduado em Metodologias Ativas pela IBFE-SP, Pós graduação em Produção e Criação de Mídias Digitais pela PUC-RIO, Membro da equipe de Educação Tecnológica do Colégio Stocco

Nathália Binder Damasceno

Professora de Ciências, Bacharel em Ciência e tecnologia pela UFABC, Licenciatura em Ciências Biológicas pela UFABC, Bacharelanda em Neurociências pela UFABC, Pós graduação em Educação inclusiva Braz Cubas, Cursando Pós graduação em Formação em Educação à distância pela Unip, Mestranda em Ensino e História das Ciências e da Matemática UFABC, Membro da equipe de Educação Tecnológica do Colégio Stocco

Vera Lucia Alfredo Hacker

Professora de Ciências e Química do Ensino Fundamental

Referências

– An effective CTL peptide vaccine for ebola Zaire based on survivors’ CD8+ targeting of a particular nucleocapsid protein epitope with potential implications for Covid-19 vaccine design, (doi.org/10.1101/2020.02.25.963546), de CV Herst, S Burkholz, J Sidney, A Sette, PE Harris, S Massey, T Brasel, E Cunha Neto, DS Rosa, WCH Chao, R Carback, T Hodge, L Wang, S Ciotlos, P Lloyd e R Rubsamen, pode ser lido no bioRxiv em www.biorxiv.org/content/10.1101/2020.02.25.963546v2.abstract.

– Estratégia de vacina contra ebola pode ser aplicada para coronavírus – Agência Fapesp. Link: http://agencia.fapesp.br/videos/#jvFOJ3Aukg4

– Inteligência Artificial rastreia notícias sobre COVID-19. José Tadeu Arantes Agência FAPESP. Link: http://agencia.fapesp.br/inteligencia-artificial-rastreia-noticias-sobre-covid-19/32902/

– Single-Dose, Intranasal Immunization with Recombinant Parainfluenza Virus 5 Expressing Middle East Respiratory Syndrome Coronavirus (MERS-CoV) Spike Protein Protects Mice from Fatal MERS-CoV Infection. Kun Li et al. mBio, DOI: 10.1128/mBio.00554-20. Link: https://mbio.asm.org/content/11/2/e00554-20

– Vacina em desenvolvimento na USP usa partícula semelhante ao coronavírus – Atualidades, Ciências da Saúde, Jornal da USP no Ar, Rádio USP Link: https://jornal.usp.br/atualidades/vacina-contra-coronavirus-em-desenvolvimento-na-usp-e-diferente-da-americana/

– Tratamento – Farmacologia – Link: https://revistapesquisa.fapesp.br/2020/03/31/corrida-por-um-tratamento-eficaz/

– GAUTRET, P. et al. Hydroxychloroquine and azithromycin as a treatment of Covid-19: Results of an open-label non-randomized clinical trial. International Journal of Antimicrobial Agents. mar. 2020.

– HU, T. Y., FRIEMAM, M. & WOLFRAM, J. Insights from nanomedicine into chloroquine efficacy against Covid-19. Nature Nanotechnology. mar. 2020.

– WANG, M. et al. Remdesivir and chloroquine effectively inhibit the recently emerged novel coronavirus (2019-nCoV) in vitro. Cell Res. v. 30, n. 3, p. 269-71. mar 2020.